
É difícil quando construímos certezas mais do que absolutas no nosso coração. E acostumados com o dia a dia, com as mãos dadas, com as trocas de carinho, já não sentimos mais aquela palpitação, que de tanta, quase faz sair pela boca o que é do peito.
A mão já não treme. O sangue não sobe, as palavras não somem. Elas estão sempre ali, no ir e vir da vida, que passa. É paixão, sim. Muita paixão. É carinho, desses que aquece o coração, que faz a gente querer de novo o que já foi.
Mas aí, quando de repente, numa esquina qualquer dessa vida, o coração volta a bater… Haja coragem.
Haja coragem para acreditar que o tempo daquele amor passou.
Porque não tem jeito. Paulinho já disse. Amor é assim, chega devagarinho, em silêncio. Mas quando chega, faz tudo mudar. E quando a gente da por si, ele já se amanheceu e se enluarou e já ta todo ensolarado dentro de você.
Com aqueles dois foi mais ou menos assim.
Eles se viram, se gostaram, se quiseram. Pode não ter sido na primeira ou na segunda. Mas na terceira, já não tinha mais disfarce que funcionasse. E depois era um tal de te olho aqui, samba sambei ali e vamos comigo pra lá. Muito jogo, muito medo, muito não. Muito bom.
Ela não sabia mais disfarçar a quentura no coração. Ele, por sua vez, nunca conseguiu assumir no fundo dos olhos de jabuticaba dela, tão cheio de infinitos, o que sentia realmente.
Era onze e meia da noite, de um domingo nublado, ela de branco. Ele liga. Ele diz to aqui. Vamos? Ela vai. Mas confirma: desencanto.